Por Wilson R. Garcia
Em 15/08/2013
Publicidade, Ética e Arte

É difícil definir "arte", principalmente quando levamos em conta a diversidade das manifestações que podem ser consideradas artísticas. O termo arte é derivado do latim: Ars, que significa habilidade e pode ser utilizado para se referir à ação de  agradar ou comover.

A arte é concebida para promover a comoção das pessoas, tocando em seus sentimentos e emoções, despertando o senso crítico e participativo do indivíduo.

Pensando em uma definição aristotélica, a arte não tem relação com a realização pessoal dos artistas, não  atribui mérito de genialidade, nem tampouco qualificações excepcionais. Define-se como artista aquele que se dispõe a 

exteriorizar

 seus sentimentos e pensamentos por meio de qualquer manifestação que possa alcançar os sentidos dos demais e se orienta durante a produção. Pode estar presente em todas as profissões, de modos diferentes, indo do operário da construção civil, do ferreiro, do marceneiro, do arquiteto ao médico cirurgião, todos podem originar formas de arte distintas.

É nesta análise que se permite uma verdadeira democratização no sentido de fazer arte, uma vez que se atribui a todos a capacidade de orientação. A produção artística não se limita a apenas uma classe de produtores, todos somos artistas, nos meios em que atuamos ou nas profissões que escolhemos. Atribuindo à arte este conceito inovador, amplia-se a constatação de sua existência em tantos outros setores da sociedade.

Quando Michelangelo pintou a Capela Sistina, com devotamento e competência, aplicando sentimento e emoção, talvez não tivesse a dimensão de que sua obra se transformaria num dos maiores tesouros artísticos da humanidade de todos os tempos.

Publicidade e Arte, caminhos diferentes?

Quando trazemos a arte para o mundo publicitário, podemos observar  a técnica, a inspiração e o conhecimento que o publicitário utilizou para produzir sua peça. Anúncios são criados com objetivos definidos e a qualidade artística do resultado está relacionada aos sentimentos, emoções e estilo do publicitário que o criou.

No momento em que um cliente chega a uma agência e apresenta suas necessidades e objetivos, esta agência passa a ser responsável pela construção da imagem deste cliente e da mensagem que será enviada para seu público. Sua equipe criativa se movimenta, pesquisa, aprende e aplica, como um artista ao pintar um quadro.

Um fato comum em publicidade, é a utilização deste potencial artístico para mascarar a verdadeira essência de uma empresa, é a diferença entre maquiar e modificar. Uma mulher que se maquia, realça a suas qualidades, enfatizando o que deseja ressaltar, no caso de cirurgias plásticas, dependendo do objetivo, poderia alterar completamente a realidade ao perder ou ocultar sua real identidade. Uma empresa que não possui credibilidade em seu fundamento poderia difundir esta virtude por meio da publicidade, desta forma, consegue dinheiro, ludibriando seus clientes, com base na mentira impressa pela imagem criada pelos publicitários.

Por isso, um publicitário, quando assume a responsabilidade de trabalhar em uma falsa imagem institucional, é tão responsável pelos resultados quanto a empresa, afinal, para mascarar, é preciso conhecer as imperfeições e concordar em ocultá-las com objetivos pouco nobres.

Considero mais encantador enaltecer as qualidades de uma empresa do que ocultar insensatamente suas imperfeições. Mas, cabe a cada um a responsabilidade de suas escolhas. Assim como um médico assume a responsabilidade sobre a vida de um paciente na mesa de cirurgia, o publicitário não deve sentir-se menos responsável pelos seus atos.

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